O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta terça-feira (1) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a anulação da investigação que apurou conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
A investigação foi aberta por ordem de Mendonça em 24 de agosto, sob a justificativa de apurar “potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da república” por parte de Vorcaro. O ministro determinou “a identificação dos integrantes da rede de influência e monitoramento gerenciada por Daniel Vorcaro”. A Polícia Federal vasculhou o celular do ex-banqueiro e entregou um relatório de 218 páginas. Dessas, 188 tratam de Moraes.
O próprio Gonet aparece no relatório. Um capítulo é dedicado a pesquisas por menções a “Paulo Gonet” nos chats extraídos do celular de Vorcaro. O relatório expõe mensagens do advogado Ciro Soares a Vorcaro que sugerem proximidade com o procurador-geral. Em uma delas, Soares escreve “Amizade é tudo viu irmão” e emenda: “Gonet é firme”.
Em outra, Soares relata ter pedido a Gonet que convencesse um interlocutor identificado como “Jarbas” a desistir de uma candidatura e diz que Gonet “me ligou ontem à noite e falou: Ciro, acabei de ligar para ele, ele vai desistir”. O relatório também registra uma viagem a Londres em 2025 com despesas custeadas por Vorcaro, à qual teriam ido Gonet e seu filho, tratado nas mensagens como “Pedrinho filho do PG”.
Na manifestação a Mendonça, Gonet argumenta que o resultado da investigação expõe o vício da ordem que a originou. Para o PGR, Mendonça sabia, ao determiná-la, que a apuração atingiria um colega de Corte, já mencionado em informes policiais anteriores e amplamente noticiado na imprensa.
De acordo com o PGR, a ordem de Mendonça é nula porque o sistema acusatório brasileiro proíbe o juiz de tomar iniciativa investigatória antes da fase processual. Cabe à polícia investigar e ao Ministério Público acusar. O relator não pode escolher um alvo e mandar que ele seja apurado.
O PGR também sustenta que só o plenário do Supremo pode julgar um ministro da própria Corte. Nesse caso, no entender de Gonet, Mendonça deveria ter levado a suspeita ao presidente do Supremo, mas optou por aprofundá-la sozinho. Gonet quer que o relator “reconheça” a nulidade e “extinga” a petição que abriga o caso.
Leia a íntegra da manifestação: