Num contra-ataque coordenado reservadamente com colegas da corte e outras autoridades de Brasília, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, partiu com tudo para cima do ministro André Mendonça. Acusou o colega de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes enviou uma representação nesta quinta-feira (3) ao presidente da Corte, Edson Fachin.
A representação é uma resposta à condução de Mendonça como relator das operações Compliance Zero e Sem Desconto. O ministro determinou, por exemplo, que a PF identificasse, em 72 horas, todas as pessoas mencionadas em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, incluindo autoridades com foro privilegiado, como o próprio Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relatório, tornado público por Mendonça, contém trechos de conversas entre Vorcaro e Moraes, trocadas a partir de 4 de novembro de 2025. O material também menciona o contrato entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, em manifestação enviada ao STF, pediu a anulação do relatório da PF. Para o procurador-geral, não cabe ao relator acusar nem investigar, e menos ainda usar a polícia judiciária como instrumento próprio para mirar alvos escolhidos por ele.
No despacho enviado a Fachin, Moraes afirma haver fortes indícios de que Mendonça agiu com parcialidade, favoreceu determinados grupos políticos e usurpou a direção de investigações que caberiam à autoridade policial e ao Ministério Público.
O texto também questiona a condução das tratativas em torno de uma eventual colaboração premiada de Vorcaro e aponta direcionamento de alvos, entre eles o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por motivações pessoais e políticas.
Cabe a Fachin decidir se dá prosseguimento ao pedido de Moraes.