A Polícia Federal identificou um grupo no WhatsApp por onde o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mantinha contato com dois servidores do Banco Central: Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do mesmo departamento. As informações foram publicadas pelo portal Uol.
Segundo a PF, Santana e Neves de Souza usavam o grupo para combinar com Vorcaro táticas de pressão, trocavam informações e auxiliavam na produção de documentos para evitar a liquidação do Master. Os dois servidores foram afastados dos cargos em março deste ano, sob suspeita de terem recebido propina para auxiliar Vorcaro, que era investigado pelo Banco Central por suspeita de fraude.
Segundo a PF, Santana recebeu propina por meio de um contrato de fachada para um estudo sobre inserção de jovens no mercado financeiro, com os repasses feitos por um sócio da Varajo Consultores, empresa ligada ao universo do Master. No caso de Paulo Sérgio Neves de Souza, a PF diz que a propina foi paga por meio da venda de um sítio por 4,8 milhões de reais a uma empresa ligada a um cunhado de Vorcaro.
De acordo com as investigações, o relacionamento dos dois servidores com Vorcaro começou em 2023. A PF destaca um episódio em fevereiro de 2025, em que Neves de Souza alertou Vorcaro por WhatsApp que uma movimentação entre dois fundos de investimento ligados ao Master caíra no radar da área de monitoramento do Banco Central.
As mensagens interceptadas pela PF indicam que o grupo formado pelos três foi criado por Belline Santana em 2 de outubro de 2025, quando o Master enfrentava uma grave situação de liquidez e o Banco Central fechava o cerco. Na primeira mensagem, Santana afirma: “Criei esse grupo com o intuito de facilitar nossa interlocução”. Vorcaro responde “Ok”. Nas semanas seguintes, os dois servidores revisaram ofícios que o Master enviou ao Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos.
Ao mesmo tempo em que auxiliavam Vorcaro, Santana e Neves de Souza participavam de investigações internas do BC que resultariam no encaminhamento do caso à PF e ao Ministério Público Federal e resultariam na prisão do banqueiro em 17 de novembro de 2025.
Na manhã do dia 17, Vorcaro perguntou no grupo se deveria procurar o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, com quem tratava da situação do Master. A dupla recomendou que fizesse isso. Mais tarde, houve uma troca de mensagens no grupo sobre uma reunião marcada por Aquino. Foi nessa reunião que Vorcaro apresentou a proposta de venda do Master a investidores estrangeiros. Horas depois, ele compartilhou no grupo uma reportagem sobre a venda da instituição a um consórcio liderado pela Fictor.
Em nota, publicada pela reportagem do UOL, a defesa de Neves de Souza informou que pediu ao STF a quebra do sigilo do depoimento do investigado. Os advogados de Santana e de Vorcaro não responderam.

