O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta-feira, 1º, dois brasileiros e quatro empresas acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. É a primeira medida tomada desde que o governo americano incluiu o PCC e o CV (Comandao Vermelho) na lista de organizações terroristas, no início de junho.

Os alvos são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Também foram sancionadas três empresas brasileiras, a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, a Pixwave Soluções de Pagamentos e a Wave Construções Inteligentes, e uma empresa portuguesa, a Avenidas Flutuantes Unipessoal.

Segundo o governo americano, o grupo atua entre São Paulo e a Flórida e usa criptomoedas para enviar ao Brasil recursos obtidos com o tráfico de drogas para os Estados Unidos. De acordo com o Tesouro americano, Shimada é o principal elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes estrangeiros. A organização comandada por ele lavou mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos, segundo o órgão.

Stella é descrita como parente e associada a Shimada. Segundo o Tesouro, ela trabalhou como secretária dele e atuou como intermediária na coleta de grandes volumes de dinheiro em espécie, dando apoio logístico às operações de lavagem.

A medida mira o núcleo paulista de uma rede que também tinha base na Flórida. Em janeiro, o FBI prendeu seis integrantes do grupo americano, denunciados por lavagem de dinheiro no Distrito Sul da Flórida. Agora, o OFAC, órgão do Tesouro responsável por sanções financeiras, afirma ter alcançado a estrutura baseada em São Paulo.

O governo americano diz que o PCC representa uma ameaça crescente dentro dos Estados Unidos, especialmente na Flórida. Segundo o Tesouro, operadores da facção atuam no país para lavar dinheiro do tráfico e financiar outras atividades criminosas.

No comunicado, o Tesouro afirma que o PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. O órgão também diz que a facção ampliou sua presença fora do Brasil nos últimos anos, com atuação em países como Reino Unido, Turquia e Japão.

A sanção não equivale a uma condenação criminal. Na prática, porém, bloqueia bens e interesses dos alvos que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de pessoas americanas. Também proíbe, em regra, que cidadãos e empresas dos Estados Unidos façam transações com os sancionados.

O bloqueio se estende a empresas controladas, direta ou indiretamente, em 50% ou mais por pessoas sancionadas. Instituições financeiras estrangeiras que façam determinadas operações com os alvos também podem ficar expostas a sanções.

Segundo o Tesouro, Shimada já havia sido alvo de medida judicial no Brasil. O comunicado afirma que ele ficou em prisão domiciliar em janeiro de 2025 porque a Victory Trading foi usada para lavar dinheiro roubado do Corinthians num esquema de fraude publicitária. O órgão não divulgou mais detalhes sobre o episódio.  

A ação de hoje é a terceira do OFAC contra o PCC. Em dezembro de 2021, o órgão sancionou a facção. Em março de 2024, sancionou Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado pelo governo americano como responsável por lavar grandes valores para o grupo criminoso.

O Bastidor não localizou a defesa dos sancionados pelo governo americano.