O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, atendeu parcialmente a um pedido do PL e suspendeu nesta segunda-feira (8) a continuidade da divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg de 19 de maio. O levantamento apontava queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto no pré-candidato do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro, após a revelação de seu pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A reclamação do PL se baseia em quatro perguntas feitas na pesquisa:

  • “Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?” — com alternativas que distribuem responsabilidade entre: aliados de Lula, aliados de Bolsonaro, Centrão, todos, não sei.
  • “Você ficou sabendo do áudio e mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do banco Master?”
  • “Após tomar conhecimento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, você ficou mais ou menos disposto a votar em Flávio Bolsonaro para Presidente?”
  • “Diante das informações divulgadas, Flávio Bolsonaro deveria: manter sua candidatura à Presidência / retirar sua candidatura à Presidência e apoiar outro nome / não sei.”

Nunes Marques concordou com os argumentos do PL de que o uso no questionário de expressões como “escândalo” e “evidências de envolvimento direto” podem configurar tentativa de manipulação de resultados. Citou também entrevista dada pelo CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, para a CNN Brasil no dia da divulgação da pesquisa. “O CEO da AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda., em entrevista veiculada na CNN, Brasil em 19 de maio de 2026, reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação” afirmou o ministro.

Na decisão, Nunes Marques expôs sete razões para concordar com o pedido do PL: indícios de comprometimento da neutralidade metodológica, linguagem de carga valorativa negativa, desvio em relação ao padrão histórico da própria empresa, as declarações do CEO da AtlasIntel, risco de dano de difícil reversão ao processo eleitoral, falta de irreversibilidade da medida e plausibilidade jurídica.

Em resumo, o ministro aceitou os argumentos do PL sobre haver indícios de falta de neutralidade nas perguntas e risco ao processo eleitoral. Entendeu também que sua decisão pode ser revertida, sem prejuízo ao processo. Nunes Marques pediu mais informações à Atlas, deu prazo de um dia para o Ministério Público Eleitoral se manifestar e estabeleceu que sua decisão será examinada pelo plenário do TSE na sessão desta terça-feira (9).

A decisão de Nunes Marques é inédita em relação a pesquisas para a eleição presidencial. O ministro citou como jurisprudência decisões do ministro Herman Benjamin, de 2016, e Floriano de Azevedo Marques, de 2025, ambas relacionadas a eleições municipais. Porém, em nenhum dos dois casos houve questionamentos sobre a metodologia das pesquisas.

O pedido do PL só foi apresentado depois da divulgação dos resultados, embora o AtlasIntel tenha registrado a pesquisa no TSE dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.

Leia a íntegra da decisão do ministro Kassio Nunes Marques: