Afastado há três meses, suspeito de importunação sexual a uma jovem de 18 anos, o ministro Marco Aurélio Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça , foi o mais afetado entre seus colegas pelo corte dos penduricalhos, determinado pelo Supremo Tribunal Federal. Seu salário foi reduzido em 65%, enquanto seus colegas perderam, em média, 23% entre abril e maio.
O fator decisivo para a redução dos ganhos de Buzzi foi afastamento do cargo, que acarretou a perda de benefícios que constam no contracheque de forma genérica como “indenizações”. Com os cortes, o salário líquido de Buzzi caiu de 101 mil reais em abril para 35 mil reais em maio.
Buzzi está afastado desde fevereiro, quando foi acusado de importunar na praia uma jovem cuja família estava hospedada em sua casa. O ministro reponde a uma processo disciplinar no STJ e é investigado em um inquérito relatado no Supremo pelo ministro Kassio Nunes Marques.
Dos 32 ministros em atividade, 20 tiveram algum tipo de redução salarial. Buzzi é o único que, neste mês, recebeu salário líquido menor do que o teto constitucional de 46,3 mil reais, equivalente ao salário de um ministro do próprio STF. Mas em valores brutos, o total dispensado a ele passa de 61 mil reais.
Entre os ministros que tiveram cortes salariais relevantes está o atual presidente da corte, Herman Benjamin, cujo pagamento líquido caiu de 102 mil reais em março para 58 mil reais em maio.
Apenas 12 tiveram aumento nos salários líquidos, segundo o Portal da Transparência. Os principais reajustes entre um mês e outro foram dos ministros Luiz Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques, cujos salários aumentaram 17% e 18%, respectivamente, entre um mês e outro. Salomão é vice-presidente da corte, enquanto Campbell Marques é corregedor-nacional de Justiça. O salário líquido de Salomão saltou de 100.994,13 reais para 118.289,61 reais de um mês para outro. Com Campbell Marques, a situação é semelhante.
Todos os 10 ministros mais recentes da corte, que ingressaram de 2015 para cá, também tiveram aumento salarial, que variou de 3% a 14%.
Em nota, o STJ informou que “os vencimentos de todos os magistrados do STJ – inclusive adicionais – estão sendo pagos conforme decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento conjunto da RCL nº 88.319, ADIs nºs 6.606, 6.601 e 6.604, e REs nºs 968.646 e 1.059.466, em 25 de março de 2026, de acordo com a Resolução Conjunta CNJ/CNMP n. 14/2026 e, também, com a jurisprudência do Conselho Nacional de Justiça”.

