O Supremo Tribunal Federal abriu uma licitação para contratar um serviço de monitoramento contínuo de sua presença nas redes sociais por 249,9 mil reais ao ano. O edital prevê análise de sentimento, identificação de influenciadores, mapeamento de ações coordenadas e produção de alertas em tempo real. A contratação acontece num momento delicado, em que as pesquisas apontam as piores avaliações históricas do Supremo pela população.
O edital é para renovação de um contratado firmado em 2024, que está no final. Em junho daquele ano, o Supremo assinou um acordo com o YouTube, Meta, Google, TikTok, Kwai e Microsoft para combater a desinformação nas plataformas. Oito dias depois, formalizou um contrato para monitorar o que as redes dizem sobre o tribunal e como isso afeta sua imagem.
O contrato anterior exigia a identificação da localização geográfica de origem das postagens, requisito que desapareceu nesse novo edital. Mas as capacidades analíticas centrais permanecem e, em alguns pontos, foram ampliadas: a empresa contratada deverá identificar os formadores de opinião e seu posicionamento e influência, mapear ações organizadas na internet e produzir boletins eventuais para subsidiar gestões de crise e tomadas de decisão, em até 24 horas após a solicitação.
O serviço inclui alertas diários por WhatsApp, entre 30 e até 300 por dia, e relatórios analíticos com classificação de cada menção como positiva, negativa ou neutra, além de análise do impacto na imagem institucional.
A renovação acontece num momento de crise de imagem do Supremo, em grande parte devido a descobertas do caso Master. Pesquisa Datafolha de março mostrou que 43% dos brasileiros não confiam no Supremo, o pior resultado desde 2012. Esse número era de 38% em dezembro de 2024. Em abril, outra pesquisa do Datafolha mostrou que 75% dos entrevistados acham que os ministros do Supremo têm poder demais. Numa pesquisa da Quaest divulgada no dia 14, 53% disseram não confiar no Supremo, enquanto 41% disseram confiar.
O novo contrato, de 249,9 mil reais é mais barato que o anterior, de 344,9 mil reais. A redução de preço veio acompanhada do afrouxamento dos critérios de habilitação técnica. O edital anterior exigia que a empresa habilitada comprovasse capacidade para monitorar ao menos 150 mil citações por mês, requisito que suspendeu o certame de 2024 por 13 dias. A norma foi substituída por critérios mais genéricos, sem um volume mínimo definido.
Ao Bastidor, o Supremo explicou em nota que “o procedimento mencionado refere-se à contratação de serviço especializado de clipagem e consolidação de conteúdos públicos veiculados em redes sociais sobre o Supremo Tribunal Federal, nos mesmos moldes do clipping já realizado diariamente com matérias jornalísticas publicadas em veículos de imprensa e portais de notícias”.
Leia a íntegra da nota enviada pelo Supremo Tribunal Federal:
“O procedimento mencionado refere-se à contratação de serviço especializado de clipagem e consolidação de conteúdos públicos veiculados em redes sociais sobre o Supremo Tribunal Federal, nos mesmos moldes do clipping já realizado diariamente com matérias jornalísticas publicadas em veículos de imprensa e portais de notícias.
Trata-se de prática amplamente adotada por órgãos da administração pública e por instituições de diferentes setores.
O objetivo é reunir e sistematizar conteúdos de acesso público, permitindo à área de comunicação compreender demandas informacionais e orientar ações voltadas à transparência e ao esclarecimento de temas relevantes.
A iniciativa está alinhada às boas práticas de comunicação pública e ao compromisso institucional de ampliar o diálogo com a sociedade por meio de informações qualificadas, acessíveis e contextualizadas”.

