A Polícia Federal deflagrou na semana passada uma operação secreta contra uma célula do Estado Islâmico no Brasil. Os policiais prenderam em São Paulo três estrangeiros suspeitos de serem integrantes do grupo terrorista.

A operação foi batizada de Sleeper Cell – célula adormecida, em português -, termo usado para designar espiões ou terroristas que permanecem incógnitos à espera da hora de agir. A operação não foi divulgada pela PF. O caso tramita na Justiça Federal de São Paulo sob sigilo máximo.

Um dos suspeitos utilizava identidade falsa. Foram apreendidos celulares e computadores, que ajudarão na identificação das intenções dos suspeitos. No atual estágio da investigação, a Polícia Federal ainda não sabe se o trio estava no Brasil para recrutar participantes para a organização ou dar treinamento a integrantes do grupo. Não há informações de atos preparatórios para atentados.

A diferença da Sleeper Cell para outras operações antiterrorismo recentes é ter descoberto a presença de estrangeiros ligados diretamente ao Estado Islâmico no país. Outras investigações da PF apontaram a presença de brasileiros simpatizantes do grupo terrorista e que atuavam como seus representantes no Brasil.

Em 2023, a PF prendeu Thiago José Silva Barboza de Paula, brasileiro acusado de recrutar jovens e adolescentes para o grupo. Em julho do ano passado, o TRF3 condenou Thiago a 11 anos de prisão. Como mostrou o Bastidor, em janeiro um homem de 18 anos foi preso por suspeita de planejar um atentado terrorista com o uso de um colete de bombas em nome do Estado Islâmico.

O Estado Islâmico surgiu em 2003 no Iraque e teve forte atuação durante a guerra civil na Síria, entre 2014 e 2015. Manteve controle sobre um grande território, mas hoje está enfraquecido e disperso por regiões de Síria, Iraque e países da África, como Mali e Níger.