A senadora Tereza Cristina, do PP, vive uma situação inusitada. É apontada por aliados do Centrão como a vice ideal para o pré-candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, é rejeitada pela família e por bolsonaristas justamente por ser uma boa candidata.

Flávio está convencido de que precisa de alguém com perfil moderado como vice em sua chapa. Aliados do Centrão, como o senador Ciro Nogueira e o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, concordam e defendem Tereza Cristina, como disse ao Bastidor uma fonte que participa das discussões.

A família Bolsonaro, contudo, tem sido um obstáculo. O irmão Eduardo e o ex-presidente Jair vetaram Tereza Cristina: querem alguém alinhado ideologicamente com os Bolsonaro. Os problemas de Tereza, na visão da família, são justamente as qualidades que todos os outros veem: é moderada e tem bom trânsito com o agronegócio e outros econômicos.

Para a família Bolsonaro, num eventual processo de impeachment contra Flávio, os mundos político e econômico aceitariam Tereza Cristina rapidamente e abandonariam o titular. A lógica é a mesma usada nas eleições de 2018 e 2022, quando Jair escolheu os generais Mourão e Braga Netto como vices. Na visão dos Bolsonaro, um vice da mesma linha da família, sem experiência política, é um espantalho para impeachments.

A resistência a Tereza fez Flávio buscar o ex-governador de Minas Romeu Zema como vice. Como mostrou o Bastidor, Flávio teme que Zema forme uma chapa com Ronaldo Caiado, do PSD, e tire dele uma parcela dos eleitores não-bolsonaristas que rejeitam o presidente Lula. 

Dirigentes partidários do Centrão, no entanto, trabalham contra o convite de Flávio a Zema. Alegam que o ex-governador pode garantir a Flávio uma vantagem em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, mas agrega pouco no Nordeste, predominantemente lulista.

Um nome que surgiu nos últimos dias foi o da deputada federal Simone Marquetto, de São Paulo. Católica, ela é do PP de Ciro Nogueira e atende parcialmente os critérios definidos pela família Bolsonaro e pelo Centrão.

Em tempo: a senadora Tereza Cristina não demonstra interesse em ser vice de Flávio Bolsonaro. Prefere seguir no Senado e, eventualmente, disputar a sucessão de Davi Alcolumbre no ano que vem.