O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou de advogados para começar a negociar um acordo de delação premiada. Nesta quarta-feira (25), três advogados que compunham sua defesa alegaram “motivo de foro íntimo” e comunicaram ao Supremo Tribunal Federal que deixaram o caso e serão substituídos por Celso Vilardi.

Vilardi trabalhou nos acordos de colaboração das empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez na operação Lava Jato. Zettel é suspeito de ser um dos principais operadores de Vorcaro e detentor de informações importantes para desvendar os esquemas ilegais do Banco Master.

O movimento de Zettel acontece seis dias depois de Vorcaro assinar um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal para negociar um acordo de colaboração com as investigações. Se concretizados os dois acordos, a delação de Zettel pode complementar a de Vorcaro.

Não há informações ainda se, assim com a de Vorcaro, a defesa de Zettel negociará com a PGR e a PF em conjunto. Para que o acordo seja firmado, no entanto, Zettel deverá prestar depoimentos que tragam novas informações aos investigadores, ajudem a entender situações já descobertas ou sejam complementares às provas já encontradas. Depois de firmado, o acordo deverá ser homologado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.

Zettel foi alvo da terceira fase da operação Compliance Zero e, assim como Vorcaro, está preso. Entre outras atividades, Zettel era o responsável por coordenar ações e fazer pagamentos a participantes de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que se suicidou, e o ex-policial Marilson Roseno da Silva.

Fabiano Zettel é apontado pelos investigadores como responsável por pagamentos de propina, como a dois servidores do Banco Central. É também o único cotista do fundo Leal – que, por meio do fundo Arleen, comprou a participação da Maridt, sociedade anônima do ministro Dias Toffoli e seus irmãos, no Tayayá Ecoresort, no interior do Paraná.