Em campanha declarada pela última vaga no colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o executivo André Vasconcellos renunciou na quinta-feira (29) ao cargo de diretor de Relações com Investidores da Fictor Alimentos, companhia de proteína animal do grupo Fictor, o mesmo que anunciou uma proposta de compra do Banco Master um dia antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central.
Na carta de renúncia enviada ao conselho da companhia, o diretor de Relações com Investidores afirma que a decisão foi tomada exclusivamente por motivos pessoais. Em comunicado ao mercado divulgado na noite de quinta, a Fictor informou que Vasconcellos será substituído por Raul Nascimento, diretor financeiro da empresa.
Como mostrou o Bastidor, Vasconcellos tem atuado junto a congressistas e agentes do mercado financeiro para viabilizar sua indicação ao órgão regulador. Nos últimos meses, procurou aproximar-se de integrantes da equipe econômica e membros da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que sabatina os indicados à CVM.
Vasconcellos planeja voltar a Brasília na próxima semana para intensificar as articulações. Segundo um de seus interlocutores, a renúncia ao cargo na Fictor ocorreu por recomendação de um membro do governo. Apesar de não existir qualquer garantia de indicação, o movimento busca diminuir a resistência a Vasconcellos.
Em conversas com parlamentares, Vasconcellos procura se vender como um nome técnico, com experiência na área de Relações com Investidores, e, sobretudo, sem qualquer ligação com a proposta de compra do Master feita pela Fictor. A associação com o banco de Daniel Vorcaro, no entanto, é o principal obstáculo de sua campanha para a diretoria da CVM.
Em entrevista ao Bastidor no mês passado, Vasconcellos disse que já havia apresentado seu currículo ao Ministério da Fazenda. Também afirmou que, caso fosse indicado à CVM, registraria em cartório seu impedimento para analisar processos ligados às empresas com as quais teve relação direta ou indireta, incluindo o Master.
A despeito das articulações do ex-diretor da Fictor, a última vaga no colegiado da CVM segue em disputa. Os superintendentes da autarquia divulgaram nota em que defendem que a cadeira seja ocupada por um servidor de carreira. Além disso, o Ministério da Fazenda atua pela indicação do advogado André Pitta, próximo do ex-secretário de Reformas Econômicas Marcos Pinto.
Nas indicações anteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconsiderou os apelos da Fazenda e de técnicos da CVM, e optou por nomes apoiados pelo Centrão e pela Casa Civil. O ex-diretor da CVM Otto Lobo foi indicado para presidir a autarquia, enquanto o advogado da Petrobras Igor Muniz foi escolhido para o cargo de diretor. Ambos ainda precisam ser aprovados pelo Senado.

