O empresário Nelson Tanure também foi alvo da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (14) na segunda fase da Operação Compliance Zero, que mira o Banco Master e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro. A ação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Tanure foi abordado quando se preparava para embarcar para Curitiba. A PF também fez buscas em endereços associados ao empresário.

As suspeitas investigadas são de prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

Como mostrou o Bastidor em novembro, poucos foram tão associados ao Master nos últimos anos quanto Tanure. Ele foi apresentado a Vorcaro por Maurício Quadrado, head de investimentos do Master. A aproximação ajudou a consolidar o banco num nicho de atuação agressiva em ativos judiciais, operações estruturadas e empresas em reestruturação, um modelo de negócio em que Tanure sempre atuou.

Tanure foi investigado em inquérito da Polícia Federal, aberto a pedido do Ministério Público Federal em 2024, para saber se não era o controlador de fato do Master.

Vorcaro e Tanure atuaram em consonância na Ambipar. Foi o que disse relatório da equipe técnica da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, em junho.

Em nota, a assessoria de Tanure informou que a única medida imposta a ele foi a apreensão de seu aparelho celular. “O empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita”.

Nesta quarta, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Houve bloqueio de bens e valores que superam 5,7 bilhões de reais.

Atualização às 14h47: Após a publicação desta reportagem, a assessoria de Nelson Tanure enviou uma nota de esclarecimento, cujo conteúdo foi incorporado à reportagem.