Reproduzindo o padrão da CPMI do INSS, o pedido de abertura de uma CPMI para investigar o Banco Master conta com adesão significativa de partidos de centro que têm ministérios no governo Lula, mas nenhuma assinatura de parlamentares do PT. O pedido já tem apoio suficiente para criação da comissão na volta do recesso, em fevereiro.

Dos 262 parlamentares que assinaram o pedido de instalação, 110 são de União Brasil, PP, Republicanos, PSD, MDB, PSB e PDT – todas com representação na Esplanada dos Ministérios. Os demais são de partidos da oposição. Nenhum deputado ou senador do PT assinou o pedido.

No caso da CPMI do INSS, 132 das 259 assinaturas vieram dos mesmos partidos donos de ministérios. A exceção é o PDT, que tinha o ministro da Previdência na ocasião – Carlos Lupi – e rompeu com o governo na ocasião. A diferença é que, no caso do INSS, o senador Fabiano Contarato foi o único petista a assinar o requerimento de criação.

Foi o vice-líder da Câmara, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), quem anunciou nas redes sociais que a proposta de uma CPMI sobre o Master já tem apoio suficiente. Segundo ele, a oposição espera que o requerimento da CPMI seja lido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na primeira semana após o recesso parlamentar.

Apesar de a iniciativa ter sido articulada pela oposição, parlamentares contrários ao governo avaliam que Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), devem indicar para a relatoria um nome alinhado à base governista, em uma tentativa de blindagem dos trabalhos do colegiado.

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central está sob escrutínio do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União. Como mostrou o Bastidor, existem indícios de que o Banco Central agiu de modo irregular na liquidação do Banco Master e coordenou, sem amparo legal, seu trabalho no caso com o juiz federal de Brasília que autorizou a Operação Compliance Zero.