A polícia da Espanha prendeu nesta quinta-feira (30) Ítalo Jordi Santos Pirineus, conhecido como “Breu”, um dos principais participantes do maior assalto ao sistema financeiro do país. A prisão é resultado de um acordo de cooperação, a pedido da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público de São Paulo.
O real nome de Breu foi revelado pelo Bastidor a partir do cruzamento de dados públicos e informações do inquérito. Não se sabe a data precisa em que Ítalo deixou o Brasil, mas a reportagem falou com ele no início deste mês. Na ocasião, ele afirmou morar no Pará e negou qualquer relação com o roubo.
Segundo as investigações, Ítalo atuou como intermediário entre os hackers executores da invasão ao sistema da C&M Software e os responsáveis por lavar o dinheiro e transformá-los em criptomoedas.
Em depoimento à PF obtido pelo Bastidor, Patrick Zanquetim Morais, acusado de lavar mais de 200 milhões de reais do roubo, disse ter sido convidado a participar do esquema por um amigo de infância apelidado de Breu.
Zanquetim relatou que foi procurado por Breu em 25 de abril, dois meses antes do ataque, para fornecer carteiras de criptoativos que seriam usadas no roubo. Disse à PF ter oferecido contas de tesouraria de bancos e afirmou dispor de uma “boa lista” de contas laranjas aptos para o esquema.
A Polícia Federal interceptou diversas conversas que demonstram a proximidade entre Breu e Zanquetim. Após o ataque à C&M, na manhã de 30 de junho, Breu enviou criptomoedas a Zanquetim, que as transferiu para outras carteiras com o objetivo de mascarar o destino final dos ativos.
Além da prisão de Breu na Espanha, a PF e o MP cumprem nesta quinta 42 mandados de busca e apreensão e 26 de prisão em Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraíba. Foram cumpridos mandados de prisão na Argentina e Portugal.
A advogada de Ítalo, Camila Nobile, afirmou ao Bastidor que ainda não teve acesso ao processo.
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