A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adiou por 30 dias a assembleia geral extraordinária da Empresa Metropolitana de Águas e Energia, a Emae, que estava marcada para quinta-feira (30). O encontro iria discutir a incorporação da Emae pela Sabesp. Se aprovada, a ação resultaria no fechamento de capital da empresa e remoção de seus papéis da Bolsa.

Desde abril, a Sabesp tenta fechar o capital da Emae. Primeiro, tentou fazer isso por meio de uma oferta pública de ações. Porém, a operação teve baixa adesão. Agora, a Sabesp, que detém quase 80% da Emae, tenta levar a empreitada adiante por meio da incorporação das ações da empresa de água e energia. No arranjo proposto, os minoritários da Emae entregariam suas ações à Sabesp e, em troca, receberiam papéis da companhia de saneamento básico.

Em reunião na terça-feira (28), porém, o colegiado da CVM decidiu, por unanimidade, adiar a assembleia da Emae que iria deliberar a questão. A decisão atendeu ao pedido de um acionista minoritário que alega que as informações necessárias para a tomada de decisão não foram disponibilizadas.

A CVM também determinou que a EMAE disponibilize aos acionistas as informações complementares quanto aos elementos econômico-financeiros que fundamentaram a relação de troca das ações da Emae pelas da Sabesp.

A Emae informou que ainda não teve acesso ao inteiro teor da decisão da CVM, mas que reforça seu entendimento “de que os documentos disponibilizados na convocação contemplam todas as informações exigidas pela regulação e necessárias para o exercício do voto de modo informado”.

A Sabesp anunciou, em janeiro, a conclusão da compra da Emae por 682,6 milhões de reais. O negócio representou uma derrota ao empresário Nelson Tanure, que havia arrematado a empresa em leilão feito governo de São Paulo por pouco mais de 1 bilhão de reais em 2024.

No ano seguinte, porém, Tanure viu a empresa ser vendida contra sua vontade, após a Vórtx liquidar ações da Emae entregues como garantia na emissão de debêntures.