Em depoimento à Polícia Federal na investigação sobre o roubo de 813 milhões de reais, Patrick Zanquetim Morais, suspeito de lavar parte do dinheiro do maior assalto ao sistema financeiro brasileiro, afirmou ter sido convidado a participar do esquema por um amigo de infância identificado como “Breu”.

Segundo a investigação, a função de Breu era intermediar a comunicação entre os hackers responsáveis pela invasão e Zanquetim e sua noiva, Nilla Vitória, presos por envolvimento na lavagem de mais de 200 milhões de reais. Outro suspeito é Gabriel Bernardes, que está foragido na Alemanha.

Zanquetim relatou que foi procurado por Breu em 25 de abril, dois meses antes do ataque, para fornecer carteiras de criptoativos que seriam usadas no roubo. Disse à PF ter oferecido contas de tesouraria de bancos e afirmou dispor de uma “boa lista” de contas laranjas aptas para o esquema.

De acordo com documentos da investigação obtidos pelo Bastidor, a Polícia Federal interceptou diversas conversas que demonstram a proximidade entre Breu e Zanquetim. Após o ataque à C&M, na manhã de 30 de junho Breu envia criptomoedas a Zanquetim, que as transfere para outras carteiras com o objetivo de mascarar o destino final dos ativos.

Em outro diálogo interceptado no dia 27 de junho, três dias antes do ataque, Zanquetim, que mora em Aparecida de Goiânia (GO), pergunta a Breu se ele ficaria em Brasília ou voltaria a Goiânia.

Breu não está preso. Zanquetim declarou à PF que seu nome verdadeiro é Ítalo e que os dois eram amigos em Parauapebas, no Pará, mas não forneceu mais detalhes. Após cruzamento de dados públicos e registros judiciais, o Bastidor identificou que Breu é Ítalo Jordi Santos Pireneus, de 29 anos.

Uma evidência que liga o apelido Breu a Ítalo Jordi é uma empresa registrada em seu nome, com nome fantasia de Breu Ltda. A empresa foi aberta em 2019, em Goiânia, e encerrada em 2023. Por telefone, Ítalo Jordi negou ao Bastidor conhecer Zanquetim e disse não ter qualquer empresa, apesar do registro. Antes da conversa, o registro da Breu Ltda aparecia na plataforma HiperGuia, que divulga empresas goianas. Após o contato, as informações foram retiradas do ar.

Nascido em Tucuruí (PA), Ítalo cresceu em Parauapebas, vínculo comprovado por processos judiciais que tramitam na comarca do município. Um deles trata de um pedido de fiança retroativo feito a seu pai, arquivado este ano. Outro refere-se à abertura do inventário de sua mãe.

Ítalo Jordi, chamado de “Breu”, é amigo de infância de um dos presos por lavar dinheiro do crime

Embora mantenha laços em Parauapebas, Ítalo morava em Goiânia, onde foi preso em 2019 por receptação e estelionato, após ser flagrado vendendo carros alugados com documentação falsa — conduta semelhante à que levou à prisão o amigo Patrick Zanquetim em Campo Grande (MS) no mesmo ano.

Durante a conversa com o Bastidor, Ítalo afirmou morar no Pará, apesar do prefixo de seu telefone ser de Goiás. Diante de novos questionamentos sobre isso, desligou e bloqueou o contato.

O advogado, Eduardo Moura, que representa Ítalo no processo de receptação na Justiça de Goiás confirmou, por meio de nota, a proximidade entre Zanquetim e Ítalo. Mas afirmou que a relação entre ambos era “restrita ao âmbito médico-paciente”, uma vez que Patrick cursa o último ano de medicina.

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