A distribuidora de combustíveis Estrela, sediada em Jardinópolis (SP), é alvo de dois inquéritos que apuram lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A suspeita é que parte dos recursos vem do tráfico internacional de drogas, de relações da facção com as máfias italiana e albanesa.

No dia 16, a distribuidora foi alvo da Operação Mafiusi, da Polícia Federal, que investiga lavagem de dinheiro do narcotráfico do PCC e relações com as duas máfias européias. A Mafiusi começou após a apreensão de mais de 200 quilos de cocaína no Porto de Paranaguá (PR), que seriam enviados para o exterior.

A Polícia Federal identificou a ligação do tráfico com a distribuidora ao interceptar mensagens trocadas entre Filippe Rocha de Oliveira, Klaus Cristhian Volker e Maicon Adriano Vieira Maia. Filippe e Klaus compartilhavam documentos financeiros e movimentações da Estrela. Oliveira, Volker e Maia foram presos. Apontado como laranja do esquema, o proprietário da Estrela, Ricardo Bartolo Conti, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A Estrela já havia aparecido nas investigações da operação Carbono Oculto como uma empresa que fazia negócios com a Copape, de Mohamad Hussein Morad, foragido da Justiça.

Logo depois, seu registro foi cassado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Embora não tenha funcionários registrados, a distribuidora movimentou 932 milhões de reais entre julho de 2023 e abril de 2025, valor considerado atípico pelos investigadores.

Uma linha de investigação aponta que os operadores do esquema da Operação Mafiusi podem ter sido contratados por investigados da Operação Carbono Oculto — entre eles Mohammad, da Copape — para realizar lavagem de dinheiro.

O inquérito sobre lavagem de dinheiro do narcotráfico tramita na superintendência da Polícia Federal no Paraná, mesma unidade responsável pela operação Tank, que investiga a ligação entre fraudes no setor e crimes de lavagem de dinheiro. Investigadores ouvidos pelo Bastidor avaliam pedir ao Ministério Público de São Paulo o compartilhamento dos autos da Carbono Oculto para aprofundar as investigações sobre a Estrela o esquema de lavagem de dinheiro.

O Bastidor tentou contato com a defesa de Ricardo Bartolo em outro processo, mas não obteve resposta. A reportagem também tenta localizar as defesas de Filippe Rocha de Oliveira e Klaus Cristhian Volker.

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