Os ministros das Esportes, André Fufuca (PP), e do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), contrariaram a ordem de seus partidos e seguirão no governo Lula. Mesmo com a desobediência pública, nenhum foi expulso das legendas. Os ministros questionaram se seus partidos realmente entregarão todos os cargos que ocupam no governo. Como isso não acontecerá, usaram a brecha para ficar.

União Brasil e PP formaram uma federação e, no mês passado, seus dirigentes deram prazo para que seus integrantes deixem o governo. O ultimato, no entanto, é de mentirinha.

Quem mais pressionou pelo desembarque do governo foram dirigentes do União Brasil, em especial seu presidente, Antônio Rueda. Foi vencido pelos pares e pelos argumentos de Sabino. O ministro questionou, por exemplo, se todos os filiados do partido entregariam os cargos, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Não, a regra não vale para todos todos. O partido tem indicados na Codevasf e em outros órgãos.

Sabino foi suspenso do União Brasil por 60 dias e deixará, ao menos formalmente, a direção do partido no estado. É tempo necessário para que ele participe da COP-30, no Pará, em novembro. Até lá, decidirá se segue ou não no governo. Sabino pretende ser candidato ao Senado com o apoio do presidente Lula. Ganhou tempo para avaliar possíveis cenários.

A pressão sobre Fufuca internamente foi menor do que a pública, feita pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira. Nos bastidores não houve desentendimento grave. A permanência foi fruto de um acordo, mediado pelo deputado federal Arthur Lira, que tem indicados na Caixa Econômica Federal. Não há possibilidade de mudança nesses postos.

A resposta pública do PP para a permanência de Fufuca foi a retirada do ministro da direção do partido no Maranhão. Terá, contudo, ascendência na escolha.

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