A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (2) a convocação do empresário Maurício Camisotti para depor sobre os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Preso desde 12 de setembro, ele é considerado como um dos principais operadores do esquema de corrupção que desviou cerca de 6,3 bilhões de reais.
Camisotti é apontado como sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que recebeu 178 milhões de reais de dinheiro roubado dos aposentados entre 2019 e 2023.
Um acordo firmado com o INSS garantia à Ambec o direito de descontar mensalidades na folha de pagamento de aposentados e pensionistas — o acordo foi suspenso pela Justiça em setembro. Os descontos fizeram com que a a receita da associação saltasse de 135 reais em 2021, para 14,9 milhões de reais em 2022, 91 milhões de reais em 2023 e 71,6 milhões apenas entre janeiro e março de 2024.
Camisotti é dono do grupo Total Health e foi investigado na CPI da Covid. Antes de sua convocação, a CPMI já havia chamado sua esposa, Cecília Montalvão Queiroz, para depor.
A Polícia Federal investiga a relação entre Camisotti e o advogado Nelson Wilians, que também tem contrato com o Banco do Brasil. Relatórios do Coaf mostram 15,5 milhões de reais em transferências de Wilians para Camisotti, em meio a 4,3 bilhões de reais em operações feitas pelo advogado e consideradas suspeitas.
Nelson Wilians prestou depoimento à CPI em setembro. Conhecido por se expor nas redes sociais e mostrar o luxo em que vive, ele preferiu o silêncio diante de deputados e senadores. A falta de respostas do advogado motivou a comissão a pedir sua prisão.
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