São mínimas as chances de a Câmara votar nesta semana o relatório do deputado Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo, sobre o projeto que propõe reduzir penas para os participantes da tentativa de golpe de 8 de janeiro e articuladores da trama golpista, entre eles Jair Bolsonaro. O relator não tem ainda nem um texto base para ser negociado com as bancadas ou para ser apresentado.
O plano de Paulinho da Força, combinado com o presidente da Câmara, Hugo Mota, é produzir um texto para o início da próxima semana. Até lá, a Câmara se concentrará em votar o projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até 5 mil reais mensais,
O desastre da PEC da Blindagem acabou com qualquer chance de a Câmara votar a redução de penas no curto prazo. Apesar dos discursos em público, o verdadeiro interesse dos deputados não era pela redução de penas – ou anistia, com dizem integrantes do PL -, mas pela PEC da Blindagem, que tornaria praticamente impossível processar e punir parlamentares.
A humilhante derrubada do texto dos deputados pelos senadores, no meio da semana passada, causou traumas aos deputados e prejudicou as negociações pela redução de penas. O relator teve de interromper as reuniões com as bancadas por falta de clima.
Parlamentares do Centrão ficaram com raiva de colegas do PT, que se mostraram arrependidos depois que a aprovação da PEC da Blindagem provocou protestos nas ruas e levou o Senado a derrubá-la.
Até ali, o quadro o seguinte: o PL oficialmente não aceitava negociar o projeto se não previsse anistia para Bolsonaro; o PT era contra reduzir as penas. Os partidos do Centrão eram receptivos. “É a ideia que todo mundo defende porque não teria nada contra o Supremo”, afirma Paulinho da Força.
No momento, no entanto, não há clima para acordos em torno da redução de penas. Os deputados preferem aprovar uma matéria popular, como a isenção do Imposto de Renda, para limpar um pouco da imagem ruim deixada pela tentativa de blindagem.
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