A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (25) um pedido de prisão preventiva do advogado Nelson Wilians, que ficou em silêncio em depoimento na semana passada. Além da prisão, foram pedidas as quebras dos sigilos bancário e fiscal e o envio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das movimentações financeiras de Wilians.

Dono de um dos maiores escritórios do país, com contrato com o Banco do Brasil, ele foi um dos alvos da segunda fase da operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.

Os pedidos são feitos ao ministro André Mendonça, relator da investigação do esquema no INSS no Supremo Tribunal Federal. No começo do mês, Mendonça negou pedidos da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal para prender Wilians.

A decisão foi tomada a partir de um requerimento do deputado Rogério Correia, do PT de Minas Gerais. Ele argumentou que há fortes indícios de que Wilians tenha atuado para ajudar uma organização criminosa a lavar o dinheiro desviado dos beneficiários do INSS. Correia afirma que há indícios de que Wilians esteja intimidando testemunhas e, portanto, sua prisão é a forma de evitar que ele atrapalhe a investigação.

Dados obtidos pela Polícia Federal apontam que Nelson Wilians fez repasses de 15 milhões de reais a Maurício Camisotti, suspeito de ser um dos beneficiários do esquema de fraudes, entre 2016 e 2022. No início do depoimento, o advogado afirmou que conhece Camisotti, mas se negou a dar mais detalhes sobre a relação entre os dois.

O Bastidor procurou Nelson Wilians, mas o advogado não respondeu até a publicação desta reportagem.

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