A forma como o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), tem se posicionado diante dos novos desdobramentos da tragédia ambiental da Braskem, em Maceió, tem chamado a atenção de quem acompanha de perto o caso desde o início.
Fontes ouvidas pelo Bastidor apontam que a atitude contrasta com a forma com que o ex-governador e atual ministro, Renan Filho, atuava diante do afundamento de bairros na capital alagoana.
O fato relevante divulgado à imprensa durante esta semana teria, segundo essas fontes, informações exageradas a respeito do número de atingidos pela tragédia. O texto fala em “150 mil vítimas do maior crime ambiental urbano do mundo”. “Ninguém sabe de onde ele (Dantas) tirou esses números”, questiona uma fonte com amplo acesso aos detalhes jurídicos do caso.
Reportagem do Bastidor, de 2021, mostrava o tamanho do problema e as dificuldades que parte dos moradores encaravam ainda para receber as indenizações dos acordos firmados entre a Braskem e o poder público. À época, os números oficiais apontavam que 14 mil imóveis – entre residenciais e comerciais – foram atingidos diretamente.
Na nota desta semana, o governo de Alagoas questiona um suposto passivo de R$ 30 bilhões que teria com a Braskem, por prejuízo causados pelo desastre. No entanto, no início do ano, a administração estadual entrou com uma ação na Justiça Federal exigindo apenas R$ 1 bilhão.
As fontes ouvidas acreditam que essa mudança de comportamento do governo estadual tem acontecido por pressão do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ele é autor de um pedido de abertura de CPI para investigar a Braskem e os acordos firmados com o poder público – em especial o que a empresa fechou com a prefeitura da cidade, liderada por João Henrique Caldas (PL), o JHC, desafeto político do senador, por ser apoiado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP).
No início deste ano, JHC firmou acordo de R$ 1,7 bilhão entre a prefeitura e a Braskem, que deveriam ser investidos em obras para melhorar a qualidade de vida, principalmente no transporte, área bastante atingida com o afundamento dos bairros provocados pela empresa.
“A prefeitura teve prejuízos com as vias interditadas, a queda na arrecadação do IPTU, ISS e outros”, diz uma segunda fonte. Parte do dinheiro obtido pela prefeitura foi usado para a compra de um hospital já equipado.
Em jogo está 2026, quando Renan e Arthur Lira disputarão as duas vagas do estado ao Senado e Renan Filho pode ser novamente candidato ao governo alagoano.

