O requerimento para a instalação de uma CPI para apurar inconsistências fiscais nas Lojas Americanas reúne 50 assinaturas. Descoberto em janeiro, o buraco no balanço da empresa mostra que a dívida da rede chega a 40 bilhões de reais. Para a CPI sair, é necessário o apoio de 171 deputados.
Autor da iniciativa, o líder do PP na Câmara, André Fufuca, acredita que o requerimento alcançará o número necessário depois do Carnaval. A partir daí, a instalação fica nas mãos do presidente Arthur Lira.
Há interesses difusos e econômicos por trás do desejo de parlamentares de investigar um caso privado, sem qualquer vínculo com o governo. A empresa dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira briga atualmente com os bancos, em especial o BTG, de André Esteves.
Advogados que atuam na disputa bilionária afirmam que a CPI será instalada. Se isso acontecer, a comissão se somará a uma apuração tocada pela Comissão de Valores Imobiliários, que incluiu na inquirição o Ministério Público e a Polícia Federal.
O presidente Lula sinalizou interesse na apuração. “Esse Lemann era vendido como o suprassumo do empresário bem-sucedido no planeta Terra. Ele era o cara que financiava jovens para estudarem em Harvard para formar um novo governo. Era um cara que falava contra a corrupção todo dia. E depois ele comete uma fraude que pode chegar a R$ 40 bilhões”, afirmou em entrevista recente à Rede TV.
O petista está certo de que Lemann esteve em grupos de empresários que articularam o impeachment de Dilma Rousseff e viabilizaram a ascensão de Michel Temer à Presidência da República em 2015.

