Uma discussão entre dois colegas de trabalho por causa de política terminou na morte de um eleitor do ex-presidente Lula, na cidade de Confresa, no interior do Mato Grosso. De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu na noite de 7 de setembro, na zona rural do município. Um suspeito confessou o crime e disse, em depoimento, que defendia Jair Bolsonaro.

Na versão do suspeito, a discussão entre eles começou quando cada um estava defendendo o próprio ponto de vista. O suspeito, identificado como Rafael Silva de Oliveira, diz que foi agredido pela vítima, Bendito Cardoso dos Santos, com um soco, que foi revidado.

Rafael de Oliveira disse à Polícia que Bendito puxou uma faca e tentou acertá-lo, mas foi desarmado e esfaqueado com golpes na barriga e em um dos olhos. 

Na sequência, Rafael diz ter ido até um galpão, pegado um machado e retornado ao local em que Bendito estava caído, ainda com vida. Nesse momento, diz ele, desferiu o golpe final, no pescoço da vítima. O suspeito escondeu as armas do crime e foi embora da chácara.

Rafael foi preso apenas no dia seguinte, depois de dar entrada no hospital da cidade. Ele estava com ferimentos na mão e na cabeça, mas sem gravidade. Disse aos médicos ter sido vítima de um assalto. Policiais militares que estavam no local já sabiam do homicídio e informaram a situação dele à Polícia Civil. Depois de cruzarem os dados, prenderam o suspeito.

Segundo o delegado Victor Oliveira Pereira, a versão do suspeito, de que teria sido agredido primeiro, será investigada. Ele aguarda os laudos das perícias no corpo da vítima, no local do crime e dos ferimentos apresentados por Rafael.

Os dois, vítima e autor, eram colegas de trabalho havia apenas dois dias. Eles atuavam cortando lenha, para abastecer uma indústria de cerâmica na região. O delegado contou que não havia histórico de rusgas entre eles e que homicídios com motivação política nunca aconteceram na cidade.

O autor deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e pelo meio cruel usado para assassinar Bendito. O delegado afirmou que a Justiça já determinou a prisão preventiva de Rafael, que está detido na carceragem da delegacia e deve ser encaminhado à cadeia pública nas próximas horas.

A violência sem fim

As circunstâncias do crime em Confresa lembram o caso que aconteceu em 9 de julho deste ano, em Foz do Iguaçu, no Paraná, quando o policial penal Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário do guarda civil Marcelo Arruda e o matou a tiros. A discussão entre eles também foi motivada por divergências políticas e o autor apoiava Bolsonaro. Para o Ministério Público, houve motivação política. O autor está em prisão preventiva.

Outro caso semelhante aconteceu em Goiânia, no dia 31 de agosto, mas sem mortes. Um policial militar atirou em um homem depois de uma discussão em uma igreja evangélica. A entidade distribuía um texto aos fiéis orientando que não votassem em candidatos de esquerda. A vítima se posicionou contra e, durante a rusga com o suspeito, houve o disparo. O crime segue sob investigação.