O comportamento de Arthur Lira e de seus aliados perante o Palácio do Planalto trincou a relação política do presidente da Câmara com a família Bolsonaro. Do pai aos filhos, todos confiam cada vez menos nele.

Trata-se de uma relação política pragmática, de ambos os lados – e desde o início. O presidente, o senador Flávio e o deputado Eduardo, contudo, enxergam nas ações e inações de Lira uma postura ambígua de apoio ao governo, que oscila apenas conforme os interesses do presidente da Câmara. Nunca esperaram lealdade dele, mas apenas uma relação de confiança – coisa que, dizem a interlocutores, não existe.

A família estranhou bastante a insistência de Lira em pautar a reforma do Imposto de Renda. Está incomodada com a pressão pelo controle das emendas extras cobrado, por meio de gestos políticos, pelo presidente da Câmara.

Preocupa o presidente e seu filho Flávio a exigência de Lira para ser o único interlocutor verdadeiramente qualificado entre Câmara e Planalto. Não param de chegar reclamações de líderes da base acerca do estilo de Lira ao fazer política nos últimos meses, qualificado como “agressivo” e “prepotente” por ministros e aliados leais, além de empresários com bom trânsito político.

O presidente reclama com frequência que Lira lhe traz mais problemas do que soluções. O deputado frisa sutilmente, sempre que pode, que não estará com Bolsonaro caso se crie um ambiente propício ao impeachment do presidente. E pede mais poder para evitar que isso aconteça.