A fuga do senador Flávio Bolsonaro 48 horas após a derrota na eleição presidencial deixou seu partido, o PL, atordoado. Dono da maior bancada do Congresso, desde terça o partido parou de responder aos demais partidos de oposição, que tentam começar a se organizar a partir da volta aos trabalhos. Até os líderes do partido se dizem surpresos com a decisão do seu candidato.

Na terça-feira (27), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião da cúpula do partido. Segundo um integrante da legenda que acompanhou o encontro, ninguém no PL sabia o que Bolsonaro pretendia fazer. Valdemar se disse surpreso e ainda tentava entender o que estava acontecendo. A reunião terminou sem uma definição sobre os próximos passos. O sentimento era de chateação, segundo participantes. Os parlamentares acreditam que a ida de Flávio para os Estados Unidos enfraquece a bancada da próxima legislatura.

A surpresa atingiu também quem estava mais perto do candidato. Coordenador da campanha de Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, negou na manhã de terça que Bolsonaro tivesse deixado o Brasil. Horas depois, recuou e admitiu que tinha dado a declaração anterior sem saber o que acontecia. Disse que podia “ter havido deslocamento do senador Flávio para um outro país”.

Os partidos da oposição que procuraram integrantes do PL desde terça não tiveram retorno. Ninguém do partido responde às mensagens sobre Bolsonaro nem se manifesta nos grupos de WhatsApp em que os partidos de oposição se coordenam. As outras legendas também não foram chamadas para as reuniões.

A primeira tentativa de reorganização da oposição está marcada para a próxima semana, na quarta-feira (04). O PL vai reunir os deputados e senadores eleitos em outubro, que tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. Segundo o integrante do partido, a fuga de Flávio Bolsonaro será discutida nesse encontro.

O isolamento ocorre quando o PL mais depende dos aliados. A próxima disputa do partido é a presidência do Senado, em fevereiro de 2027. A candidatura de Rogério Marinho vai ser confirmada na reunião da semana que vem. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 41 dos 81 votos da Casa, o que exige apoio de outros partidos. O principal adversário é o atual presidente, Davi Alcolumbre, do União Brasil, que forma uma federação com o PP.