A Braskem ainda não chegou a um acordo com seus credores para reestruturar sua dívida de 55,7 bilhões de reais. Em comunicado enviado à B3 na terça-feira (27), a petroquímica informou que as negociações continuam e que o prazo para definir as bases do acordo foi prorrogado para sexta-feira (30). As partes ainda não chegaram a um consenso sobre as condições finais da reestruturação.
A manifestação ocorreu após a B3 pedir esclarecimentos sobre uma reportagem do Valor Econômico, publicada no sábado (24). Segundo o jornal, a Braskem e seus credores estavam próximos de um acordo que incluiria um aporte da Petrobras e a conversão de dívidas em ações ainda neste ano. A operação também poderia deixar a petroquímica sem um controlador definido. A empresa não confirmou essas condições.
A entrada de dinheiro novo é um dos principais obstáculos ao acordo. A Braskem propôs uma oferta de ações de 2,25 bilhões de dólares, com 1,2 bilhão de dólares garantidos pelos principais acionistas ou por terceiros. O dinheiro entraria em duas etapas. Os credores exigem uma garantia de 1,85 bilhão de dólares, com desembolso integral no fechamento da operação.
As partes também divergem sobre a conversão de dívidas em ações. A Braskem propõe trocar inicialmente até 2,8 bilhões de dólares em créditos por participação acionária. Os credores aceitam converter 1,85 bilhão de dólares nessa primeira etapa. Há ainda diferenças sobre o preço das ações e as condições de pagamento do restante da dívida.
Embora o processo de recuperação extrajudicial registre uma dívida de 55,7 bilhões de reais, boa parte das obrigações financeiras da Braskem está vinculada ao dólar. A dívida inclui títulos emitidos no exterior, empréstimos bancários e debêntures. Ao anunciar a recuperação, em agosto, a companhia estimou os créditos abrangidos em cerca de 10,9 bilhões de dólares. No balanço de junho, 92% de sua dívida corporativa estava denominada em moeda estrangeira.
A negociação envolve diretamente a Petrobras e a gestora IG4 Capital, que assumiram o controle compartilhado da Braskem em junho, após a saída da Novonor. A estatal detém cerca de 47% das ações com direito a voto, enquanto o fundo ligado à IG4 possui 50,1%. Em setembro, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal não pretende ampliar sua participação na petroquímica nem fazer aportes sem a contribuição dos demais acionistas.
A Braskem pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo em 24 de agosto. Na ocasião, conseguiu a adesão de credores responsáveis por 39,6% das dívidas abrangidas pelo plano. O percentual chegou a 40,3% em outubro. A companhia tem até 22 de novembro para reunir o apoio necessário à aprovação judicial de um plano atualizado. O processo não inclui as obrigações comerciais com fornecedores e clientes.
A crise financeira da Braskem se agravou com a queda das margens de lucro do setor petroquímico, pressionado pelo excesso de oferta global e pelos custos de produção. A empresa também enfrenta despesas bilionárias relacionadas ao afundamento do solo provocado pela extração de sal-gema em Maceió, em Alagoas. O endividamento elevado aumentou a pressão por uma reestruturação capaz de aliviar suas contas.
A disputa com os credores também chegou à Justiça americana. Em 20 de outubro, três fundos apresentaram um pedido de recuperação judicial involuntária contra a Braskem America Finance, subsidiária responsável por captar recursos no exterior. Os fundos detêm cerca de 272 milhões de dólares em títulos de dívida emitidos pela subsidiária e garantidos pela Braskem. Segundo a petroquímica, o pedido atinge apenas a unidade financeira americana, sem incluir a companhia brasileira.