A Justiça de São Paulo aceitou na terça-feira (27) o processamento da recuperação judicial de seis empresas do Grupo Marabraz, rede de lojas de móveis que enfrenta uma crise financeira e uma disputa entre integrantes da família controladora. O grupo busca reestruturar uma dívida de 140,2 milhões de reais.
A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, suspendeu por 180 dias as ações de cobrança das dívidas sujeitas à recuperação. Nesse período, os credores não poderão penhorar bens das empresas para receber esses valores. O grupo terá 60 dias para apresentar um plano de pagamento, sob risco de falência.
A Marabraz atribui sua crise à dificuldade de conseguir crédito bancário, à retração do mercado e a conflitos societários e familiares. A situação também provocou o fechamento de lojas e a redução de estoques, o que levou credores trabalhistas a questionar a capacidade de recuperação do negócio.
Como mostrou o Bastidor, os irmãos Jamel e Nasser Fares travam uma disputa com filhos e sobrinhos pelo controle da LP Administradora, holding que reúne um patrimônio imobiliário estimado em 5 bilhões de reais. Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou uma sentença favorável aos irmãos e devolveu aos herdeiros as participações transferidas em 2011.
A briga também chegou ao processo de recuperação judicial. Adiel Fares, irmão de Jamel e Nasser, tentou retirar uma das empresas da ação, alegando falta de autorização para o pedido. A juíza rejeitou o argumento ao reconhecer que Jamel e Nasser, donos de dois terços do capital social, tinham poderes para tomar a decisão.
A magistrada, porém, negou um pedido do grupo para reunir os patrimônios e as dívidas das seis empresas. Segundo a decisão, a perícia não encontrou provas suficientes de que os recursos das sociedades estejam misturados. Assim, cada empresa deverá manter suas contas separadas e apresentar seu próprio plano de recuperação.
A Deloitte foi nomeada administradora judicial e ficará responsável por fiscalizar as operações financeiras e o funcionamento das lojas. A juíza também deu ao grupo 15 dias para entregar documentos pendentes, incluindo extratos bancários e certidões. O descumprimento poderá levar à revogação da autorização para a recuperação.
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