Jair Bolsonaro, como já mostrou o Bastidor, criou uma crise no funcionalismo público ao privilegiar – sem justificativa que não a eleitoral – policiais federais e rodoviários federais com reajuste salarial. Servidores de Receita Federal, Banco Central e Judiciário sentiram-se abandonados e, claro, foram ao ataque.
Mas, para o mercado, nada disso importa. Uma fonte que transita bem entre investidores disse que isso já está precificado dentro dos bilhões extra liberados com a aprovação da PEC dos Precatórios – que dá calote em dívidas já definidas ao mesmo tempo em que abre espaço para novos gastos.
“O mercado estava de olho nos R$ 106 bilhões de rombo previstos na na PEC dos Precatórios. E não houve estresse com os reajustes porque a lógica é que esses gastos estão dentro dos R$ 106 bilhões. Não vai ter estripulia”, afirmou.
Também conta para esse sentimento, continua esse consultor, o fato de “todos estarem cansados e de saco cheio” das seguidas crises de 2021. “O entendimento é de que o cobertor é curto e, se puxar de um lado, terá que haver compensação. Só haverá estresse se sair disso, ou seja, vir aumento fora do teto”, complementou.
Essa fonte disse ainda que o mercado sabe que Bolsonaro “está jogando para a plateia” e que a única apreensão com o movimento eleitoreiro do capitão reformado é relacionada à perenidade dos aumentos aos servidores, pois “só vai resolver 2022”.

