A campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, chegou de mãos vazias ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, nesta quinta-feira (22). Fez novas exigências para cumprir sua parte no desafio de autorizar a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do candidato e de pessoas próximas. Segundo a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, Bolsonaro liberará seus dados depois de analisar os documentos entregues pela campanha de Lula.

As duas campanhas afirmaram, em reunião no TSE, ter aceitado as condições uma da outra. No papel, porém, só a de Lula protocolou, pouco depois das 11h, a autorização para liberar os sigilos no horário que o coordenador petista, senador Camilo Santana, havia marcado na véspera.

Bucchianeri, por sua vez, disse que Flávio Bolsonaro vai atender que consta da petição de Lula e que os documentos chegam ao tribunal antes do segundo turno, no domingo (25). Mas condicionou o prazo à verificação de que Lula atendeu às exigências do senador. É a segunda vez que Bolsonaro faz exigências para cumprir o desafio lançado por Lula.

O combinado é que as informações estejam disponíveis até às 23h59 desta quinta-feira (22). A votação é no domingo (25). Para que os dados se tornem públicos até lá, as instituições financeiras, a Receita Federal e as empresas de telefonia precisam ser acionadas, e as informações, compiladas. Só depois poderão ser analisadas por interessados.

A troca de exigências nasceu no debate da Band, no domingo (18), quando Lula propôs que os dois candidatos expusessem movimentações bancárias e ligações. Na terça-feira (20), o presidente levou a proposta ao TSE, em petição distribuída ao ministro André Mendonça. Autorizou a liberação dos próprios sigilos dos últimos oito anos e dos da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, dos cinco filhos e da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, sua empresa de palestras. A autorização só vale se Flávio fizer o mesmo em relação a si, a familiares e a cinco empresas ligadas a ele.

Flávio respondeu no mesmo processo no dia seguinte. Autorizou a abertura dos próprios sigilos dos últimos 20 anos, das empresas das quais é sócio ou administrador e dos familiares citados por Lula. Em troca, cobrou os registros das reuniões de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro em dezembro de 2024 e os gastos com cartão corporativo da primeira-dama. Pediu também a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de dois nomes citados nas apurações sobre os descontos indevidos em aposentadorias do INSS: o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. A campanha de Lula aceitou.

No tribunal, Bucchianeri mudou o acerto e foi além do que está na petição. Defendeu que os dados de Lula alcancem o período desde 2003, quando ele assumiu o primeiro mandato. São 23 anos, ante os oito oferecidos pelo presidente.

Parte dessas exigências, porém, não depende de Lula. O sigilo bancário só pode ser revelado com o consentimento do titular ou por ordem judicial. A concordância do presidente não basta para abrir os dados de Marcola ou de Roberta Luchsinger, que não são parte no processo.

O lado petista aponta uma lacuna na oferta de Flávio. A campanha de Lula afirmou no tribunal que o senador deixou de fora a Alcazar Holdings, offshore do advogado Willer Tomaz e uma das cinco empresas listadas na petição do presidente. Após a reunião no TSE nesta quinta, a campanha de Flávio concordou em liberar os dados da empresa de Tomaz, amigo de Bolsonaro.

O exame do material de Lula ficou a cargo do ex-prcourador Deltan Dallagnol, senador eleito pelo Paraná pelo Novo. Dallagnol foi um dos procuradores que investigou Lula durante a Operação Lava Jato.