Duas declarações públicas recentes dos presidentes do Senado e da Câmara ilustram bem a falta de pessoas habilitadas a ponderar ou aconselhar mais criticamente o presidente Lula. Do mais recente para o mais antigo.
De Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e um aliado do governo, nesta segunda-feira (8) sobre a ação da Advocacia-Geral da União de rever regras da desestatização parcial da Eletrobras: “Foi algo muito debatido na Câmara e no Senado. De modo que nós consideramos essa uma realidade do Brasil. É muito importante que se pudesse aceitar essa realidade.”
Antes, Arthur Lira, também com boa-vontade para com o governo, embora se declare independente, sobre as mudanças no Marco do Saneamento: “Sabemos que a lei aprovada pelo Congresso Nacional foi importante, e temos muito cuidado quando um decreto muda a lei.”
As declarações foram públicas, mas os dois enviaram (ou tentaram enviar) emissários ao presidente para avisá-lo de que entendiam que houve uma mudança ideológica no Executivo, mas que qualquer mudança nas leis aprovadas pelo Congresso deveria ser feita pelo próprio Congresso, de maneira negociada. Ou não deram o recado ou Lula os ignorou.
No caso do Marco do Saneamento, sabe-se, o governo perdeu. E deve perder também no Senado. No segundo caso, a da ação que o governo move para rever regras da privatização da Eletrobras, lideranças do Congresso vão discutir nos próximos dias como trabalhar contra.
Em nenhum dos dois casos o governo tratou as questões, antes das ações, com o Congresso ou quis ouvir de seus dois presidentes que saída poderia adotar.

