A morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, desencadeará no país uma crise ainda mais grave do que a vivida pelo Iraque após a captura do ex-presidente Saddam Hussein pelos Estados Unidos, em 2003. A avaliação é de Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, em contato com o Bastidor neste sábado (28).

Amorim é o principal conselheiro do presidente Lula em assuntos internacionais e o integrante do governo com maior influência na condução da política externa brasileira.

A morte de Khamenei foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump em uma rede social.

Mais cedo, nas primeiras horas após os ataques, o governo brasileiro condenou os ataques dos Estados Unidos ao país persa. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores falou em grave preocupação com a situação e reforçou que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.

O governo brasileiro, às 18h, quando procurado pelo Bastidor, ainda aguardava novas informações para um posicionamento.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas se reúne neste sábado para discutir os ataques. A ofensiva militar deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas.