A situação na Venezuela depois da prisão do presidente Nicolás Maduro foi um dos principais temas abordados numa conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta segunda-feira (26). Segundo o Palácio do Planalto, não houve críticas à atuação do governo dos Estados Unidos no país vizinho, apenas um pedido de Lula para que seja mantida a paz na região.

No âmbito do combate às drogas, bandeira usada por Trump para justificar a prisão de Maduro, Lula concordou em participar de esforços contra o narcotráfico e pediu o apoio a iniciativas para combater crimes como a lavagem de dinheiro.

Lula se ofereceu para visitar Trump em Washington. A visita deve acontecer em março, depois das viagens do presidente à Índia e à Coreia do Sul, marcadas para o final de fevereiro. A conversa desta segunda foi a quarta entre os dois presidentes.

Trump e Lula também conversaram sobre o Conselho de Paz, um colegiado promovido pelo americano, no qual ele será líder vitalício. Em tese, o objetivo é discutir soluções para conflitos entre países; na prática, é um atropelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lula ainda não respondeu ao convite para ingressar o grupo, algo que já foi feito por países comandados por aliados de Trump, como a Argentina e a Arábia Saudita. Lula afirmou que concorda com tentativas de promoção da paz, mas defendeu que o conselho de Trump deve se restringir apenas à questão do conflito em Gaza e abrir espaço para a participação dos palestinos nos debates.

Lula voltou a defender uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, com a abertura de mais vagas fixas. No último ano, sobretudo depois da chegada de Trump ao poder, a força das Nações Unidas para mediar conflitos foi reduzida.