Secretários de Segurança Pública de todo o país defenderam abertamente a indicação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para o futuro Ministério da Segurança Pública. A declaração foi divulgada pelo conselho que representa os chefes do setor nos estados, na semana passada. A criação da pasta é uma possibilidade praticamente certa, com a saída de Ricardo Lewandowski do governo Lula.

Na semana passada, o Bastidor mostrou que a movimentação em torno do novo ministério segue forte em Brasília. Um dos cotados, o senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo, por exemplo, sequer tem a intenção de falar sobre o tema em público. O eventual ministro terá a árdua missão de tentar aprovar, em ano eleitoral, a PEC da Segurança Pública.

No Planalto, outro nome que ganhou tração nos últimos dias para vaga de ministro da Justiça foi do advogado da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, aliado próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do líder do governo no Senado, Jacques Wagner.

Os auxiliares do presidente Lula estudam realizar a cisão da pasta entre Justiça e Segurança Pública por meio de uma Medida Provisória até que seja votada a PEC da Segurança, encampada pelo governo e que tramita na Câmara desde o ano passado.

A proposta, que pretende centralizar em Brasília informações sobre o combate ao crime organizado, foi um dos fracassos de Lewandowski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O então ministro foi convocado ao Congresso em diversas oportunidades, mas não conseguiu avançar no debate, por causa da resistência de governadores e deputados da oposição.

O conselho dos secretários defende a nomeação de Andrei Rodrigues por considerar que o diretor da PF tem perfil técnico para comandar a área, que ficará responsável por gerenciar a própria Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Além de Rodrigues, o texto cita também o nome do secretário de Segurança do Piauí, Chico Lucas.

Caso Rodrigues seja nomeado, representará a volta da Polícia Federal à Esplanada, depois da gestão de Anderson Torres na pasta, no governo de Jair Bolsonaro. Hoje, ambos estão presos por tentativa de golpe de estado.

Até agora, Lula não se pronunciou oficialmente sobre a decisão, nem mesmo falou sobre eventual desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde a semana passada, o governo tem promovido alterações na cúpula da pasta, já com vistas no substituto de Lewandowski. Enquanto o titular não chega, Lula nomeou Manoel Carlos de Almeida Neto, então secretário-executivo da pasta, para conduzir o ministério interinamente.