O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, homologou o acordo de delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag. O empresário é investigado por suspeita de participação nas fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Sua colaboração pode ajudar a identificar o destino de bilhões de reais desviados do banco e os beneficiários das operações.
A homologação ocorre dois meses depois de Mansur fechar o acordo com a Procuradoria-Geral da República, a PGR. O acordo prevê o pagamento de 40 milhões de reais em multa e reúne 17 anexos. O empresário se comprometeu a revelar o caminho do dinheiro que, segundo as investigações, foi ocultado por meio de fundos de investimento ou em nome de terceiros.
A importância da delação está no papel da Reag nas operações do Master. A gestora, liquidada pelo Banco Central em janeiro, é suspeita de ter administrado fundos usados para inflar artificialmente o patrimônio do banco e desviar recursos. À frente da empresa, Mansur teve acesso a operações que podem ajudar os investigadores a identificar os envolvidos, localizar bens escondidos e recuperar parte do dinheiro de Daniel Vorcaro. As informações prestadas por ele ainda precisam ser confirmadas por outras provas.
O acordo estava sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. Fachin passou a cuidar das questões urgentes do inquérito no fim de outubro, embora Mendonça continue formalmente como relator. A PGR havia pedido prioridade na homologação por temer que os ativos dos investigados perdessem valor antes de serem localizados e usados para ressarcir os prejuízos.