A Polícia Federal transferiu o inquérito que apura fraudes no INSS para a coordenação responsável por investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. O caso saiu da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária e foi para a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, onde opera a unidade dedicada a apurações que envolvem autoridades com foro privilegiado.
Não estão claros os motivos da troca. A PF não se manifestou publicamente, mas fontes da corporação afirmaram ao Bastidor que, apesar da mudança, o comando dos inquéritos e a equipe responsável continuam os mesmos. O caso segue na Diretoria de Combate ao Crime Organizado, a Dicor.
A transferência foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal. Nesta sexta-feira (15), ele se reuniu com integrantes da PF para tratar do assunto.
A mudança ocorre semanas após a PF encaminhar ao STF o termo de colaboração premiada do empresário Maurício Camisotti. Preso desde setembro na operação Sem Desconto, ele é o primeiro colaborador entre os suspeitos de operar o esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
Um dos alvos da investigação do INSS é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Em abril, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, foi intimada a depor no inquérito. Outros 30 investigados também foram intimados. O ministro André Mendonça autorizou a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís, pedida pela PF.

