A ministra Marluce Caldas, do Superior Tribunal de Justiça, negou o pedido de prisão domiciliar para o corretor de criptoativos Patrick Zanquetim de Morais, principal suspeito de lavar o dinheiro do roubo de 813 milhões de reais, considerado o maior golpe ao sistema financeiro já registrado no país. Sob sua coordenação, a quantia roubada foi convertida em criptomoedas consideradas irrecuperáveis pela Polícia Federal.

Zanquetim está preso em Goiânia desde julho do ano passado. Foi um dos primeiros presos da quadrilha, junto de sua noiva, a médica Nilla Vitória Ribeiro Campos, solta por decisão do STJ no mês passado. Os dois são suspeitos de lavar mais de 200 milhões de reais roubados.

A defesa pediu prisão domiciliar sob o argumento de que Zanquetim foi diagnosticado com uma hérnia supraumbilical e precisará passar por cirurgia. No documento, os advogados sustentam que seu retorno ao presídio após o procedimento seria “clinicamente temerário”.

A ministra rejeitou o argumento. Afirmou que os prontuários médicos recentes não confirmam a necessidade de recuperação em casa após a cirurgia. Registrou ainda, com base em documentos enviados pelo presídio, que o diagnóstico de hérnia é anterior à prisão de Zanquetim.

Como mostrou o Bastidor, Zanquetim foi responsável por orquestrar um sistema próprio de transferências via Pix convertidas em seguida em criptomoedas. Segundo a Polícia Federal, as transações seguiram um padrão de execução em lote, o que indicou alto grau de planejamento técnico da quadrilha.

Thiago Turbay, advogado de Zanquetim, foi procurado e preferiu não se manifestar.