O advogado Nelson Wilians é um dos seis convocados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o esquema de fraudes no INSS que descontaram ao menos 6,3 bilhões de reais de pensionistas e aposentados de forma ilegal. A convocação foi aprovada por parlamentares nesta terça-feira (16).

Além de Wilians, a CPMI do INSS convocou a esposa e do filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’, Tania Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes. Tania e Romeu são sócios de Antunes em empresas usadas no esquema de descontos ilegais investigado por Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal e Polícia Federal.

Também foram convocados pela CPMI os sócios de Antunes, Milton Salvador de Almeida Júnior e Rubens Oliveira Costa, além de Cecília Montalvão Queiroz, esposa do empresário Maurício Camisotti. As convocações foram aprovadas um dia depois de Antunes desistir de depor à CPMI, após três mudanças de opinião.

A falta foi informada pela defesa de Antunes pouco antes do início da sessão, mas já havia sido abonada no sábado (13), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que facultou ao ‘Careca do INSS’ a decisão de depor ou não aos parlamentares.

Antunes é considerado pelas autoridades como um dos principais operadores do esquema, porque suas empresas receberam 53,9 milhões de reais de entidades que fizeram descontos ilegais em benefícios do INSS.

Camisotti é foi incluído na investigação por sua sociedade oculta na Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a terceira maior beneficiária dos 6,3 bilhões de reais fraudados de aposentadorias e pensões. Empresário da área da saúde, Camisotti foi investigado na CPI da Covid.

Wilians é investigado por transferências bancárias milionárias feitas aos investigados por meio de seu escritório de advocacia, o Nelson Wilians Advogados, considerado o maior do país. O escritório de Wilians tem contratos com o Banco do Brasil.

Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostraram 15,5 milhões de reais transferidos por Wilians a Camisotti. Ainda de acordo com o Coaf, de 2019 a 2024, Wilians movimentou 4,3 bilhões de reais em operações consideradas suspeitas.

Essas informações financeiras justificaram a operação deflagrada no dia 12. Por ordem de André Mendonça, relator do caso no STF, a Polícia Federal prendeu Antunes e Camisotti, e cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, alguns deles em escritórios de Wilians e de seu ex-sócio Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti.

As ações foram batizadas de Operação Cambota, um desdobramento da Operação Sem Desconto, feita em abril, que deu início à investigação sobre os desvios no INSS. A PF apreendeu carros de luxo, incluindo uma Ferrari, relógios, obras de arte e maços de dinheiro. Ainda não há um valor estimado das apreensões, nem foi explicado onde cada bem foi encontrado.

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