O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a aplicação de medidas cautelares contra Vanessa Resende Gonçalves, esposa de Márcio Toledo Pinto, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça investigado no inquérito que apura a existência de um comércio de decisões no tribunal.
A decisão, assinada no último dia (30) e obtida pelo Bastidor, inclui o uso de tornozeleira eletrônica. Vanessa deverá entregar, no prazo de cinco dias, todo o material coletado durante ações de monitoramento de agentes da Polícia Federal. Há, entre os documentos, um dossiê contra a atuação da corporação. O ministro proibiu Vanessa de se aproximar da sede da PF, além de vedar contato com policiais federais identificados, exceto em situações de abordagem oficial.
A determinação ocorre após Márcio Toledo, que estava em prisão domiciliar, perseguir um agente da PF. Como noticiou o Bastidor, ele reconheceu na rua um veículo de sua propriedade, apreendido durante as investigações, sendo utilizado por um policial federal, que estava autorizado a conduzir o veículo. Márcio, então, passou a seguir o agente, que percebeu a situação. A conduta foi interpretada pelos investigadores como tentativa de obstrução. Ele foi preso preventivamente.
No STJ, Márcio atuou nos gabinetes das ministras Isabel Gallotti e Nancy Andrighi. Ele foi demitido em outubro de 2025. Além de vazamento de decisões de ministros do STJ, a PF identificou que Márcio inseriu decisões falsas no sistema interno da Corte para simular resultados favoráveis e cobrar valores dos envolvidos nos processos.
Relatório da Polícia Federal, a que a reportagem também teve acesso, mostra que uma empresa registrada em nome da esposa de Toledo Pinto recebeu cerca de 4 milhões de reais da Florais Transportes, do lobista Andreson Gonçalves, apontado pelos investigadores como principal operador do esquema. O documento também indica que empresas ligadas aos envolvidos compartilham o mesmo contador, Nilvan Marques Medrado.
Ainda segundo o relatório, “o quadro de transferências aponta que, entre maio de 2021 e dezembro de 2023, foram realizados mais de 40 lançamentos, muitos deles de grande vulto, como os repasses de R$ 250.000 em duplicidade no mesmo dia, além de transferências recorrentes de R$ 100.000, R$ 150.000 e R$ 200.000 ao longo de 2022 e 2023”.
Os investigadores afirmam ainda que “os elementos reunidos permitem concluir que a Marvan Logística foi instituída como empresa de fachada para dar suporte ao esquema de corrupção e lavagem de capitais, funcionando como elo entre as transferências provenientes da Florais Transportes e o núcleo familiar do servidor Márcio”.
A decisão de Zanin ainda determina a proibição de uso, manipulação ou compartilhamento de informações relacionadas à investigação. O descumprimento das medidas pode levar à adoção de providências mais graves, incluindo a decretação de prisão preventiva.
A defesa de Vanessa não se manifestou.

