Aliados políticos e jurídicos de Jair Bolsonaro retomaram os planos de tentar neutralizar – termo usado por eles – o ex-ministro Sergio Moro. Eles acreditam que o ex-juiz tem potencial para tirar Bolsonaro do segundo turno – ou permitir a vitória de Lula ainda no primeiro.

Em ao menos duas conversas no fim de semana, que envolveram gente grande do centrão e advogados influentes, discutiu-se usar nas redes sociais a tentativa de delação de Rodrigo Tacla Duran, operador da Odebrecht. Condenado e foragido, o doleiro diz há anos ser vítima de achaque de advogados próximos ao ex-juiz da Lava Jato. Uma investigação do MPF não encontrou qualquer indício que corrobore a acusação do doleiro.

Ano passado, a defesa de Tacla Duran abordou a PGR para tentar um acordo. O principal item da delação seria Moro. O ex-ministro acabara de romper com Bolsonaro e a PGR buscava, informalmente, provas contra ele. O acordo não prosperou – ao menos não naquele momento.

Nas conversas do fim de semana, a linha de frente de Bolsonaro avaliou que é preciso pressionar Augusto Aras a retomar o acordo com Tacla Duran. A pessoas próximas, o PGR já disse que a palavra do doleiro vale pouco e que ele não dispõe de provas para uma delação.

Ainda que não haja desdobramentos judiciais, os estrategistas do presidente estão convictos de que as acusações precisam ser usadas já nos próximos meses. Desde que Moro suba nas pesquisas, como eles apostam.

Num dos encontros, um chefe do PP argumentou com advogados leais a Bolsonaro que o “material do Tacla Duran” não precisa ser disseminado nas redes do presidente. “O PT já vai fazer isso”, disse esse líder, ao lembrar que blogs e sites ligados ao partido dão espaço ao doleiro há anos.

Ao menos por ora, o conselho desse expoente do centrão foi ignorado. A ordem é preparar o ataque a Moro. “Ele (Moro) não pode chegar vivo na campanha”, diz um aliado de Bolsonaro.