Em 2 de agosto de 2020, caças da FAB, com apoio terrestre da PF, interceptaram um avião de pequeno porte que transportava 500 kg de cocaína. O piloto da aeronave, Nélio Alves de Oliveira – ex-vereador e ex-vice-prefeito de Ponta Porã (MS) – foi preso em flagrante com Júlio César Lima Benitez, seu copiloto.

Mas investigações da PF mostram que esse avião fez uma parada no Aeródromo de Isaac Alcolumbre, preso ontem acusado de auxiliar no tráfico internacional de drogas. As informações estão em relatório apresentado à Justiça Federal do Amapá para justificar a prisão do primo de Davi Alcolumbre – que foi mantida ontem.

O pedido para usar a pista de pouso do ex-deputado estadual foi feito em 9 de abril de 2020, quase quatro meses antes da apreensão do avião. Segundo as investigações, o aeródromo recebia aviões com drogas vindos de Colômbia e Venezuela.

Jair Bolsonaro chegou a comemorar a apreensão no Twitter – à época, Davi Alcolumbre ainda presidia o Senado:

Ontem, Bolsonaro fez um pronunciamento conjunto com Ivan Duque, presidente da Colômbia – durante visita oficial do mandatário do país vizinho. Ao melhor estilo “war on drugs” de Ronald Reagan, afirmou que as duas nações têm laços estreitos e que o tráfico de drogas pelas Farc preocupam também o governo brasileiro.

Porém, a investigação da PF sobre o caso envolvendo Isaac não mostrou, até o momento, nenhuma filiação do ex-deputado a essa ou outras organizações criminosas.