A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) classificou de atípica a condução realizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, nos inquéritos que investigam as suspeitas de irregularidades do Banco Master. A entidade divulgou nota neste sábado (17), na qual afirma que o magistrado promove “legítima perplexidade institucional” e afronta prerrogativas de delegados.
Nesta semana, Toffoli e a PF entraram em conflito devido à segunda fase da operação Compliance Zero. O ministro reclamou da demora para os cumprimentos dos mandados de busca e apreensão. Também houve divergências quanto à guarda e a realização de perícias no material apreendido.
Depois de determinar o encaminhamento dos computadores e celulares diretamente à Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro liberou o acompanhamento de quatro peritos da PF para acompanhar a perícia dos aparelhos, mas manteve a guarda com Paulo Gonet. Ele também nomeou diretamente os técnicos que podem acompanhar o procedimento, algo incomum nas investigações, segundo a ADPF.
“Cumpre salientar, a título de exemplo, que, nem mesmo no âmbito interno da Polícia Federal, a designação de peritos ocorre por escolha pessoal ou nominal da autoridade policial”, diz a entidade.
Outro ponto de reclamação dos delegados é sobre os prazos exíguos para a realização de depoimentos dos investigados. Toffoli reduziu de seis para dois dias o prazo para que os delegados envolvidos na apuração realizem todos os procedimentos.
A ADPF diz esperar que a Polícia Federal e o STF consigam em breve aparar as arestas e retomar uma atuação normal harmônica, como já ocorreu em outros casos recentes.
O Bastidor procurou o ministro por meio da assessoria do STF, mas não houve manifestação até a última atualização desta reportagem.