O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag Investimentos, negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo no âmbito da operação Carbono Oculto, que investiga a relação do Primeiro Comando da Capital (PCC) com fraudes no setor de combustíveis.
Segundo uma autoridade próxima às negociações ouvida pelo Bastidor, Mansur já havia demonstrado interesse em colaborar com as investigações no fim do ano passado, quando seu celular foi apreendido pela PF. Seu advogado, José Luis Oliveira Lima, o Juca, chegou a tentar um acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, mas as tratativas não avançaram.
Hoje, Juca também é o advogado que negocia a delação de Vorcaro com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. A possibilidade de uma delação conjunta é considerada por algumas autoridades. No entanto, há um possível conflito de competência que deverá ser analisado após a eventual formalização dos acordos.
Uma eventual delação de Mansur serve a três investigações. Além da Carbono Oculto, Mansur é investigado também por diversas operações que inflaram o patrimônio do Banco Master por meio de fundos de investimento geridos pela Reag. Também é investigado na operação Quasar, que apura os fundos usados pelo PCC para ocultar dinheiro sujo.
Por enquanto, a eventual colaboração de Mansur com o MP-SP deve se concentrar nas relações comerciais com os investigados da operação Carbono Oculto, entre eles os empresários foragidos Mohammad Hussein Mourad, dono da Copape, e Roberto Augusto Leme Silva, conhecido como Beto Louco.
As negociações envolvendo Mansur ainda estão em estágio menos avançado do que as de Mourad e Beto Louco, que tratam de acordos há mais tempo. Os dois seguem foragidos.

