A entrada do grupo extremista libanês Hezbollah no conflito no Oriente Médio, em solidariedade ao Irã, desencadeou um alerta na Polícia Federal para o risco de atentados no Brasil. A PF monitora grupos simpatizantes do Hezbollah no país — especialmente familiares de integrantes do grupo — e intensificou a vigilância sobre movimentações nas proximidades de embaixadas e consulados de Israel e dos Estados Unidos.
Durante o fim de semana, ataques coordenados de Estados Unidos e Israel ao Irã resultaram na morte do líder supremo do país, aiatolá, Ali Khamenei. Desde então, o Irã revidou com ataques a países da região, como Bahrein, Emirados Árabes e Arábia Saudita. De sua base no Líbano, o Hezbollah fez ataques a Israel.
Células de apoio ao Hezbollah no Brasil já foram alvo da Polícia Federal. No ano passado, a operação Trapiche mirou uma rede de suporte ao grupo extremista comandada por Mohamad Khir, apontado como um dos principais recrutadores do Hezbollah no país. Ele está foragido há quase dois anos.
Segundo fontes próximas ao caso ouvidas pelo Bastidor, não foi identificado qualquer planejamento de atentado contra o país. O governo Lula condenou ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Ainda assim, de acordo com relatos de investigadores, existe a possibilidade de o Hezbollah tentar retaliar por meio de ataques a representações diplomáticas.
Um episódio semelhante ocorreu em 1994, na Argentina. Segundo as autoridades argentinas, o Hezbollah foi responsável pelo atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires, que matou 85 pessoas.
A Polícia Federal também compartilha informações sobre suspeitos de ligação com o Hezbollah com outros países da América do Sul por meio da Ameripol, uma espécie de Interpol latino-americana. No Brasil, há monitoramento contínuo de pessoas e empresários de origem libanesa investigados por manter vínculos com o grupo extremista.

