Há um ano está travada a entrada de novos estados no Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), administrado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O processo está paralisado devido a um parecer do senador Esperidião Amin (PP) na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI).
O Sisbin integra informações de inteligência sobre diversos temas monitorados pela Abin — como ações terroristas e possíveis atividades de espionagem estrangeira. Por ele, a Abin e as polícias estaduais podem cooperar com informações. A inclusão dos estados no sistema é uma das principais bandeiras do diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.
No documento emitido em setembro de 2024, Amin suspendeu a avaliação pela comissão até que a Abin fornecesse informações mais detalhadas sobre a participação dos governos estaduais e as diretrizes internas da agência.
De acordo com a legislação, a Abin deve consultar a Comissão do Senado após o pedido de adesão de cada estado. Em julho de 2024, os governos de Paraíba, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Sergipe formalizaram solicitações de ingresso. Dois meses depois, Amin foi designado relator do processo.
Contudo, a direção da Abin encaminhou informações consideradas truncadas e insuficientes para a análise da Comissão, como a proposta de inclusão de secretarias de Educação e Turismo no sistema, o que gerou dúvidas. A falta de clareza tanto da agência quanto dos governos estaduais travou o processo.
Em julho de 2025, Luiz Fernando Corrêa participou de uma audiência da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência para destravar o assunto, mas não deu certo. A Comissão ainda não tomou uma decisão.
Segundo agentes de inteligência ouvidos pelo Bastidor, a demora prejudica o trabalho operacional, já que, sem respaldo legal, há restrições para o compartilhamento de informações sensíveis entre os setores de inteligência das polícias estaduais.
Às vésperas da COP30, o Pará — que sediará o evento — ainda não participa do Sisbin. A ausência é considerada preocupante, pois a conferência tende a atrair espiões estrangeiros, em meio à presença de centenas de delegações internacionais.
Há expectativa de que, até a próxima semana, o presidente da Comissão, deputado Filipe Barros (PL), agende uma audiência para votar os pedidos de adesão sob relatoria de Amin.
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