Depois que acionistas minoritários recorreram à Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, a Toky, dona da Mobly e da Tok&Stok, mudou de tom. Em comunicação enviada aos acionistas horas depois, na segunda-feira (28), a empresa diz que pode incluir na pauta da assembleia geral extraordinária marcada para 6 de novembro assuntos de interesse dos minoritários que havia deixado de fora.

No pedido feito à CVM, os minoritários afirmam que a Toky retirou seis temas da pauta da assembleia. Eles dizem que a empresa não poderia escolher quais temas do pedido de convocação de assembleia seriam submetidas aos acionistas. Também pedem que a CVM obrigue a companhia a republicar o edital da assembleia com todos os temas.

O pedido de assembleia dos minoritários foi apresentado em 9 de setembro e reuniu sete tópicos. A Toky considerou a solicitação irregular e, dias depois, convocou uma assembleia própria restrita à definição do tamanho do conselho. Além dos temas em discussão, a assembleia elegerá o novo conselho.

Agora, em carta enviada aos acionistas, a companhia afirma que pode acrescentar à AGE os temas deixados de fora. Para isso, exige que os minoritários apresentem um novo pedido, com a fundamentação e os documentos que considera necessários. A Toky mantém a tese de que o requerimento anterior tinha falhas em procurações, falta de documentos e problemas na formulação de parte da pauta.

O ponto mais sensível é a ação de responsabilidade contra Marcelo Rodrigues Marques, presidente do conselho, e Fabio Ferrante, diretor financeiro e de relações com investidores, além de conselheiro. Os dois fazem parte da chapa indicada para o próximo mandato.

Os minoritários sustentam que administradores que poderiam ser atingidos pela ação participaram do processo que deixou o tema fora da assembleia. Por isso, também pediram à CVM as atas das reuniões do conselho para verificar se houve declaração de impedimento.

A resposta da Toky aos minoritários é assinada por Ferrante, um dos administradores que podem se tornar alvo da ação caso o tema seja incluído na pauta.

A companhia, portanto, não abandonou o argumento de que o primeiro pedido era irregular. Mas passou de uma rejeição direta para uma posição em que admite discutir os temas que havia deixado de fora, desde que os minoritários apresentem um novo requerimento.

A Toky pediu recuperação judicial em maio deste ano, com dívidas superiores a 1 bilhão de reais, e teve o processamento do pedido autorizado pela Justiça em junho. Desde então, o grupo tenta reestruturar suas dívidas e preservar as operações da Mobly e da Tok&Stok.