A Justiça de São Paulo aceitou, na quinta-feira (12), o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell. Com a decisão, ficam suspensas por 180 dias as cobranças contra a companhia, que tenta renegociar uma dívida de 65,1 bilhões de reais com bancos e investidores. A suspensão vale somente para os credores incluídos no pedido.

Documentos entregues pela Raízen à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais mostram que 47,2% dos credores já concordaram em renegociar a dívida. Para que o plano seja homologado pela Justiça, porém, a empresa precisa do apoio de pelo menos metade dos credores. O juiz Guilherme Cavalcanti Lamego deu prazo de 90 dias para que a companhia alcance esse patamar.

O plano prevê três medidas principais para reorganizar a dívida. A primeira é trocar as dívidas atuais por novos títulos, com outros prazos, juros e garantias. A segunda é transformar parte da dívida em ações, o que pode reduzir o endividamento e reforçar o capital da empresa. A terceira é uma reorganização societária, com possíveis cisões e redistribuição de ativos.

Segundo a lista de credores apresentada à Justiça, 61,5% da dívida é em dólar, o que aumenta a exposição da empresa. A fatia em euro representa 4,7% e está ligada principalmente a empréstimos do BNP Paribas. Já 33,8% da dívida está em reais, concentrada em CRAs, debêntures e derivativos. O valor total de 65,1 bilhões de reais já considera a conversão das dívidas em moeda estrangeira para reais.

O BNY Mellon é o maior credor individual da Raízen. O banco atua como trustee de seis séries de bonds em dólar, com vencimentos entre 2032 e 2054. O valor consolidado passa de 19,7 bilhões de reais, o equivalente a mais de 30% da dívida. Até agora, o BNY Mellon aparece como “não aderente” ao plano apresentado à Justiça de São Paulo.

A Pentágono Distribuidora aparece como agente fiduciário de várias emissões de debêntures, com exposição total de cerca de 5,4 bilhões de reais. A True Securitizadora reúne CRAs emitidos em diferentes séries, com saldo de cerca de 4,9 bilhões de reais.

Entre os grandes bancos brasileiros, os principais credores da Raízen são Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, com 2 bilhões de reais, 1,27 bilhão de reais e 1,03 bilhão de reais, respectivamente.