O Ibama entregou à Petrobras nesta segunda-feira (20) a licença para perfurar o primeiro poço de petróleo a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá. A estatal pode começar os trabalhos de avaliação da viabilidade econômica de explorar petróleo em águas profundas numa região conhecida como Margem Equatorial.
Segundo a Petrobras, já há uma sonda no local onde foi liberada a abertura. O trabalho deverá durar cinco meses. Nesse período, não haverá retirada de petróleo: serão feitos apenas estudos geológicos na área para dimensionar o tamanho do campo e a quantidade potencial de óleo a ser produzido na região. A liberação ocorreu um dia antes do fim do contrato de locação da sonda que fará os estudos.
Por meses o Ibama fez exigências à Petrobras para adiar a concessão. Só liberou a pesquisa após intensa pressão política, em especial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do Amapá, e intervenção direta do presidente Lula em favor da Petrobras.
O documento sai em um momento delicado, a menos de um mês do início da COP30, a maior conferência ambiental do mundo, que acontecerá em Belém a partir de 10 de novembro. A licença é uma derrota para ambientalistas e para a ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, contrários a exploração nessa faixa do litoral brasileiro. Especialistas apontam riscos à biodiversidade da região.
O campo de petróleo a ser explorado no litoral do Amapá faz parte da chamada Margem Equatorial, que reúne diversos outros locais e se estende da Guiana até o Rio Grande do Norte, e é considerada uma nova fronteira de exploração de petróleo no mundo.
A área na Foz do Rio Amazonas é considerada a mais sensível do ponto de vista ambiental. Por outro lado, a geologia sugere que a região pode ter uma das maiores reservas ainda não exploradas do planeta.
Estimativas iniciais apontam que o petróleo da Margem Equatorial é o de melhor qualidade disponível no Brasil. Em 2015, a Guiana descobriu 11 bilhões de barris nessa área, o que fez o PIB do país crescer 63% apenas em 2022.
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