A Novonor, ex-Odebrecht, perdeu o controle acionário da Braskem, uma das maiores indústrias petroquímicas do mundo. Os 50,1% das ações ordinárias foram assumidas pelo fundo de investimentos Shine I, controlado pela gestora IG4, de acordo com comunicado divulgado nesta segunda-feira (15).
O fundo assumiu cerca de 20 bilhões de reais em dívidas da Novonor. A negociação faz parte do processo de recuperação judicial do conglomerado, que começou em consequência da operação Lava Jato.
A dívida é referente a empréstimos bancários feitos pela Novonor para se reestruturar. As ações da Braskem foram dadas como garantia aos bancos, em caso de não pagamento dos débitos. O fundo assumiu a responsabilidade por esses valores e, com isso, levou as ações da Braskem no acordo.
A Braskem era um dos braços mais importantes da Novonor. Fundada em 2002, seu segundo principal acionista é a Petrobras, que detém 47% das ações com direito a voto. O restante está nas mãos de investidores do mercado financeiro.
A saída da Odebrecht não representará o fim do vínculo com a Braskem. Conforme o anúncio feito nesta segunda-feira, a Novonor ainda poderá deter 4% das ações preferenciais da Braskem, mas perde o direito a voto no conselho.
O crescimento da Braskem veio, sobretudo, da parceria com a Petrobras. Embora a família Odebrecht mandasse no negócio, a proximidade com a estatal e com o poder público fomentaram em grande parte o desenvolvimento da empresa.
Mais recentemente, a Braskem se tornou a responsável pelo maior acidente ambiental em área urbana do mundo: o colapso da mina de sal-gema da empresa, em Maceió. A escavação na cidade acabou com o colapso e a interdição de vários bairros na capital alagoana.

