A Cosan, de Rubens Ometto, não vai comprar as novas ações preferenciais classe B que a Raízen vai emitir para sair da crise, e a operação só será concluída se a Shell ficar sozinha com a maioria desses papéis. As condições estão no Fato Relevante divulgado nesta sexta-feira (6), em que o conselho de administração da Raízen, presidido por Ometto, aprovou a emissão de até 39,8 bilhões de reais em novas ações.

A Raízen é uma sociedade entre a Shell e a Cosan e renegocia suas dívidas com os credores em um processo de recuperação extrajudicial. Como mostrou o Bastidor, a Cosan não vai colocar dinheiro novo na empresa e verá sua fatia diminuir.

As ações classe B não serão negociadas em bolsa e darão ao titular os direitos previstos no estatuto da Raízen. A fatia que caberia à Cosan nessa emissão ficará disponível para os demais acionistas, e a quantidade mínima de ações exigida para validar o aumento, 14 bilhões, é a mesma que a Shell vai subscrever, por até 3,5 bilhões de reais, metade em ações ordinárias e metade em preferenciais classe B.

As novas ações sairão a 25 centavos cada, 28,6% abaixo da média de cotação dos últimos 30 pregões e 7,4% abaixo do fechamento de quinta-feira (5). A Raízen informou que não fez laudo nem estudo para chegar ao preço, que foi negociado com os credores. Os atuais acionistas terão de 9 de novembro a 8 de dezembro para exercer o direito de preferência, e quem ficar de fora terá a participação diluída em 57% a 94%, a depender de quantas ações forem emitidas no total.

A permanência de Ometto na administração depende de outra decisão. A Aguassanta, empresa ligada a ele e dona da Cosan, precisa investir 500 milhões de reais para garantir a Ometto uma cadeira nos novos conselhos da Raízen. No fato relevante, essa participação continua em aberto.

Boa parte das novas ações não vai trazer dinheiro, porque será entregue aos credores em troca das dívidas. Do dinheiro que entrar, os primeiros 4,5 bilhões de reais irão para o caixa da operação da empresa, limite que sobe para 5 bilhões se a Aguassanta participar. Só o que passar disso será usado, em parte, para pagar dívidas. Shell e Aguassanta, juntas, vão colocar no máximo 4 bilhões de reais.